sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O poder do Foda-se!

O foda-se é catártico.
Portanto no que diz respeito à posologia a ser aplicada recomendo:
Um foda-se por dia e, nem sabe o bem que lhe fazia.
epontofinal

C,T

domingo, 1 de novembro de 2015

Um coração cheio num mundo (demasiadas vezes) vazio!


Um dia, enquanto observava o velho, que contemplava o mar, o menino perguntou:


- Porque olhas tão triste para algo tão bonito?

O velho, abstraiu-se dos seus pensamentos e observando o garoto respondeu:
- Porque o mundo é belo, é verdadeiramente magnífico, mas a vida humana que o compõe não está em harmonia com a beleza e magnificência dele.
- Olho em volta e estes olhos, cor de mar, sentem-se cansados e tristes de verem que tudo aos poucos se desmorona.

- Sabes pequeno, são demasiadas as vezes que vejo que impera o orgulho em vez do amor; o egoísmo em vez da generosidade; a humildade é confundida, imensas e imensas vezes com humilhação; a mentira ganha à verdade e por sua vez a justiça é vencida pela injustiça.

- E o que sobra de tudo isto? Sobram, sobretudo, despojos de lutas perdidas e causas rasgadas destruídas no tempo...Vazio!
Punhados de nadas...Mediocridade! Sobrevive, um coração cheio num mundo vazio, aonde dificilmente terá um lugar num espaço assim. 

-Olho para trás, após tantos anos e com tristeza constato que: sonhos, promessas, certezas ou nem tantas, projectos, alegrias, lágrimas...vida, caem por terra perante a fraqueza do homem. Pergunto-me tantas vezes: 
-Aonde está a força e a coragem afinal? O que existe de melhor em nós está aonde? Fica apenas em palavras, perde-se nos actos!? 

Não quero acreditar que sejamos tão pobres de espírito. Assim, contento-me a apreciar esta força bela da natureza que me enche a alma e me dá a coragem, o alento, a pacificação e a esperança de que necessito.
Resta a esperança, que apesar da desolação, ainda vive dentro de muitos.

Mas, até a esperança precisa de um lugar!


C.T

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

FÃO

Tenho um tesouro,
Um tesouro chamado Fão.
É como um pote de ouro,
Vale mais dum milhão.

Com casas caiadas,
E ruas estreitas, 
Leva com nortadas,
Vai-te embora ó Freitas.

Terra de muitos encantos.
Mar, pinhal e rio,
E por serem tantos,
Conhecer, tem de ser de fio a pavio.

Tem poetas e cantores, 
Que recitam e cantam amores,
Carpindo também as dores, 
Nas capelas sem andores. 

Tenho um tesouro, 
Um tesouro chamado Fão. 
Em que há lugar até pró mouro,
Desde que não se arme em morcão. 

Tenho um tesouro,
Um tesouro chamado Fão.
É como um pote de ouro,
Vale mais dum milhão.

C.T. 




quinta-feira, 16 de julho de 2015

Reu peu peu pardais ao ninho!

Passo a vida a ouvir as pessoas a queixarem-se do mesmo: da falta de valores e de princípios e reu peu peu pardais ao ninho!
Tropecei neste texto:
“O mundo seria um lugar melhor se as pessoas procurassem ser mais verdadeiras e ficassem menos na defensiva. Menos fórmulas prontas e uma “cara” mais limpa.
Porque é que as pessoas complicam tanto o que é, no fundo, tão fácil?
Se tu gostas? Então diz.
Estás com saudades? Procura.
Queres conversar? Liga, convida. Sem medos, sem manias, sem orgulhos, sem receios.
Queres ser compreendido? Expõe os teus pontos de vista.
Tens dúvidas? Pergunta.
Não gostaste de algo? Fala
Gostaste? Fala ainda mais.
Erraste? Desculpa-te.
Queres algo? Pedir é a melhor forma de começar a merecer.
Se o “não” pode ser, sempre, visto como garantido, tenta, pois podes surpreender-te com o “sim”.
E tu que estás a receber tal tratamento, não sejas estúpido(a) e trata essa pessoa com a atenção e a verdade que ela merece. Mas, se não queres, que sejas honesto(a), sempre, desde o início. Não és obrigado(a) a nada, portanto, não uses “máscaras” para conseguires o que queres e a seguir “deitares fora”.
Coragem e transparência são itens raros nos dias de hoje e não faz sentido, tu que reclamas tanto de não poderes confiar nas pessoas, não saberes valorizar quando aparece alguém que te trata com verdade.” (Não conheço os dedos que o redigiram)


É simples! Portanto, deixem de complicar tanto o que no fundo não tem grande ciência epontofinal.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

...

Até o caos tem necessidade de uma ordem, caótica que seja, ou então, até o caos deixa de ser caos.

C.T

sexta-feira, 20 de março de 2015

33 anos de 21 de Março



Todos os anos te escrevo, se calhar, na ânsia inconsciente de uma resposta, pois, meu ser consciente sabe que jamais isso será possível. De todas as vezes, conto-te como estou, o que faço e pretendo fazer, peço-te conselhos, questiono-te perante dúvidas minhas. Rio e choro contigo através das minhas palavras de amor e, também, dum vazio profundo impossível de preencher por nenhum ser humano.

Sei que leste e que vais ler sempre. Assim como sei que em tudo o que faço tu estás presente, ou não estivesses tu em mim, ou não seria eu uma continuação de ti. Este é um vazio inexplicável, incompreensível para a maioria, compreensível para mim - de certa forma - entender essa mesma incompreensão!?

Como é que se explica a alguém, o vazio que é sentir um desejo de se ter algo em nossa vida, que sabemos que nunca será possível? Que preferíamos ter tido um pouco e sofrer a dolorosa amargura da perda, mas saber…. O que é, como é, restando a lembrança a saudade e a certeza; em vez da fraca poupança dolorosa de uma dor que crava e que fica subsistindo, para sempre, sobrando apenas a ignorância.

Dizem que um Pai é o primeiro e verdadeiro amor de uma filha. Acredito que sim! Pois se há ligações que atravessam mundos e são capazes de gerar protecção e amor, que se dirá dos que possuem essa constante diária e terrenamente!?

Dou muitas vezes por mim, perdida em mim, a observar pais e filhas. Tenho a certeza de que seria fantástico, nem sempre, mas fantástico.

É por isso que sempre penso e apelo para que todos os Pais olhem por suas filhas, protejam-nas, não em redomas, não das dificuldades, nem tão pouco da amargura ou da decepção, estejam lá nas derrotas, incentivando-as; pois cada erro será um caminho melhorado. Em suma, não as protejam da vida, mas preparem-nas para a vida.

É um desejo, meu, que se aplica a todos os homens que possuem mulheres nas suas vidas: Olhem e respeitem as semelhantes como as que têm no coração, pois só assim serão também dignos de respeito e da palavra: Homem.

Hoje: Simples menino, irmão, primo, amigo... Amanhã: Homem e Pai!

Sei que o que nos une é, como na música, muito mais do que aquilo que nos separa e sempre assim será. Antes de saber delinear uma linha, já rabiscava com paixão; antes de perceber os alcances do humor e da representação, já figurava o teatro da imitação. Antes de saber o significado de política, já pequenas rebeliões eram instauradas: num muro saltado pela conquista dum território supostamente invicto e desconhecido, ou num jogo de bola, com poeira no ar e canelas a latejar. Acrescentando a isso, a vontade de criar.

Espero, assim, que revejas em mim muito de ti, assim como eu de ti em muito de mim.

33 anos depois custa sentir que partiste, antes do tempo;

Antes do prazo;

Antes do dia.

Até!


C.T.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Pois éa!


Não me recordo aonde li, mas achei alguma graça, aqui vai:
Tanta gente obesa de palavras e anoréctica de sentimentos que fica a dúvida entre o engolir ou fazer dieta. ;)




sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Madrugada


As folhas estalam debaixo dos pés, ficou o cheiro a castanha assada que envolve o ar. Embalo, deixo-me ir,levada pela corrente do ar, perdida em sonhos meus que vão ao encontro de quem mora longe. Tomam de assalto divagações do faz de conta pelos sonhos de menina e projectos de mulher. A noite sussurra melodias serenas escancaradas pelo vento vadio, que se espalham na neblina de uma madrugada, que encerra melancolia.
O céu inicia a sua transformação para o milagre de mais um dia, a última estrela guia cai,     lentamente, com a força de já sentir uma saudade mas sempre em extrema liberdade.               Acalento sonhos enquanto caminho em direcção ao amanhecer, com a paixão do anoitecer.
Verto uma lágrima fugitiva e resignada, salgada como o mar, quente como o coração.
Oiço o riso de uma mulher por detrás de uma cortina, o choro lânguido de uma criança que suplica o peito de sua mãe. 
Vislumbro a sombra entre cortada de um barco no meio do nevoeiro, entre a ponte e o cais, quase suspenso, quase imóvel, com alma e sem vida, revestido de uma aura de nostalgia. Tacões irrompem e cortam a réstia do silêncio de uma madrugada que chega ao seu fim, uma capa negra esvoaça e acompanha o ritmo acelerado de quem tem tudo ainda para viver. Suspiro, sinto o orvalho debaixo dos pés, a frescura e a renovação da vida a cada dia, sorrio e continuo o meu caminho, em paz e feliz. 

C.T. 
           




                     
                          

Só um Mundo de Amor pode Durar a Vida Inteira

Bebo das mesmas palavras, aqui fica:

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Expresso'